terça-feira, 29 de janeiro de 2013


Papa envia telegrama a dom Hélio Adelar e expressa pesar pela tragédia ocorrida em Santa Maria (RS)




   
A Secretaria de Estado do Vaticano divulgou o telegrama enviado pelo Papa ao arcebispo de Santa Maria, dom Hélio Adelar Rubert, expressando seu pesar pela tragédia ocorrida na cidade universitária. No incêndio da boate ‘Kiss’ morreram 232 jovens e 80 estão hospitalizados em estado grave.

“Consternado pela trágica morte de centenas de jovens em um incêndio em Santa Maria, o Sumo Pontífice pede a Vossa Excelência que transmita às famílias das vítimas suas condolências e sua participação na dor de todos os enlutados. Ao mesmo tempo em que confia a Deus Pai de misericórdia os falecidos, o Santo Padre pede ao céu o conforto e restabelecimento para os feridos, coragem e a consolação da esperança cristã para todos atingidos pela tragédia e envia, a quantos estão em sofrimento e ao mesmo procuram remediá-lo, uma propiciadora bênção apostólica”.

O telegrama de Bento XVI é assinado pelo cardeal Tarcísio Bertone, secretário de Estado de Sua Santidade, na manhã de segunda, 28 de janeiro.

Fonte: CNBB

sábado, 26 de janeiro de 2013


III Domingo do Tempo Comum - Comentário litúrgico




Introdução

            É possível encontrar nos dois textos (I leitura e o evangelho), as condições necessárias para se fazer uma adequada celebração da Palavra. Por que dizer assim dessas leituras? Porque elas conduzem a comunidade à reflexão e à revisão das celebrações que são realizadas.
            “Hoje”, “Palavra”, “realização”. São três palavras que ressaltam o resumo feito pelo Mestre Jesus na sinagoga de Nazaré, já começando sua vida pública. A Palavra de Deus é assim, ela fala hoje, porque realizou maravilhas ontem, hoje e sempre.
            A II leitura está sintonizada com o tema enfatizado pelas leituras anteriores, porque no seu objetivo, é preciso reforçar a fé e a prática dos discípulos missionários de Jesus Cristo, e, não apenas satisfazer a curiosidade dos historiadores, nem tão pouco ficar esposada nos museus, sendo maltratada pela poeira e pela traça, e sim para formar segundo a justiça (2 Tm 3,16).

Ø I leitura (Neemias 8,2-6.8-10)
É impossível alcançar a narração da I leitura de hoje, sem a devida compreensão do contexto histórico situado lá pelos anos 444 a.C. Já se passaram mais de cem anos do retorno do povo israelita do exílio da Babilônia.  Mesmo assim, esse povo ainda continua desorganizado e sofrendo muito. Liderados pelo governador Neemias e pelo sacerdote Esdras, os repatriados tentam reconstruir o país e conservar a própria identidade. Mas, para tanto, é preciso ter instrumentos como: intermediários entre Deus e o povo e a Palavra, elementos capazes de unir a comunidade em torno de objetivos comuns.
Os versículos aqui indicados descrevem em detalhes a celebração da Palavra e suas consequências para chamar a devida atenção dos ouvintes. Vejamos alguns subsídios importantes:
1.                  Esdras organiza a festa da Lei. Inicialmente convoca em assembleia sagrada todas as pessoas capazes de entender e, desde o raiar do sol até o meio-dia”, faz a leitura do livro da Lei (VV 2-3). É interessante, ninguém falta a convocação, ninguém reclama porque está demorando. Enquanto isso, não são poucos os que vão para as nossas missas, reclamando porque passou uma hora e meia de celebração. Talvez não saibam que o compromisso fundamental de um verdadeiro cristão é o de alimentar a própria fé, junto com os irmãos da sua comunidade, através da escuta da Palavra, acompanhada de uma boa catequese.
2.                  A Palavra de Deus suscita comunidade.  Trata-se do núcleo central do Deuteronômio, a lei do Estado para Israel. Tudo se torna novo. Por isso, exige renovação da aliança. É, portanto, uma leitura solene da lei do Senhor.
3.                  A Palavra de Deus torna-se o núcleo de atenção da comunidade. Os ouvintes prestam atenção ao que está sendo lido. A Palavra é ouvida. Hoje, será que a Palavra de Deus tem tanta importância assim para os que se dizem católicos praticantes?
4.                  A Palavra de Deus provoca reações nos membros da comunidade. Todos ficam de pé (v.5), todos erguem as mãos e proclamam “amém, amém”! Todos se ajoelham e se inclinam até o chão diante do Senhor (v. 6). A palavra é aclamada e Deus é adorado. Nos dias atuais, é uma luta para muitos dos nossos se ajoelharem. É preciso que se peça. Aliás, alguns chegam a ficar chateados. Que coisa!
5.                  A Palavra de Deus provoca atitude de partilha. Que estranho, o povo começa a chorar! É que a Palavra ajuda o povo a fazer a devida retrospectiva. Ela ajuda a reconstruir a história, sendo força, luz e esperança. E isso gera “a alegria do Senhor”, que é segurança para a comunidade!
Conclusão: Os levitas dizem ao povo: “Comam..., tomem bebidas..., porque este é um dia consagrado ao Senhor” (v. 10). A partilha dos bens, sugerida pela interpretação da Palavra de Deus, leva a comunidade à criação de uma sociedade alternativa, isto é, como o Projeto de Deus: “Vida em abundância para todos”.

 Evangelho (Lc 1,1-4; 4,14-21)
            Para cada ano litúrgico é indicado um Evangelista; neste ano, seremos acompanhados por São Lucas. Por tratar-se do Tempo Comum, é, portanto, compreensível que nos seja proposto o prólogo (introdução) a este Evangelho.
            Lucas dedicou o seu Evangelho ao “excelentíssimo Teófilo” (nome que significa “amigo de Deus”). O trecho nos situa aproximadamente lá pelos anos 80 d.C. , e trás como preocupação a solidez e a credibilidade do que está para apresentar: fez um estudo cuidadoso de tudo o que aconteceu desde o princípio,  a fim de escrever uma narração bem ordenada (v. 3).
            a) O objetivo da sua obra é dar bases sólidas à fé dos cristãos das suas comunidades (v.4). O que quer dizer tal afirmação? Vejamos bem: ninguém pode ser obrigado, por meio de argumentos, acreditar que Jesus é o Senhor. Todavia, a fé não pode ser trocada por crendices (cavilações, superstições) e desprovidas de provas científicas. É preciso aprofundar a própria adesão a Jesus Cristo. Como? Com a palavra o próprio Lucas – é preciso ler atentamente, página por página, o seu Evangelho.
            É este o convite que nos é proposto para este ano. É preciso, portanto, participar com seriedade das celebrações, sobretudo no domingo, para que se chegue verdadeiramente à fé cristã. Cuidado: Assim, sim, começaremos a ser “Teófilo”, ou seja, “amigos de Deus”.
             b) A segunda parte da passagem deste dia (Lc 4, 14-21) apresenta-nos o começo da vida pública de Jesus. Participando da vida de seu povo, num dia de sábado, durante a celebração da Palavra na Sinagoga de Nazaré, ele anuncia o programa do seu ministério: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa Nova aos pobres...”.
            O programa de Jesus beneficia sem reserva alguma os pobres. Quem são eles? Os anawim, isto é, os que vivem à margem da sociedade, as “massas sobrantes”. Jesus é parceiro, é aliado dos pobres, é seu libertador. Nisto consiste a Boa Nova por ele anunciada: presos soltos, cegos enxergando, oprimidos libertados. O programa de Jesus consiste não só a libertação dos marginalizados, mas sua plena reintegração na sociedade, com a recuperação plena de tudo aquilo do qual foram defraudados. Essa é a evangelização de Jesus: Não consiste nas palavras, doutrinação, conceitos, dogmas, documentos, mas numa prática que leve as pessoas marginalizadas à posse da vida plena. Essa deve ser a nossa evangelização (Boa Nova). Então, por que ainda há tantos marginalizados no Brasil, no nosso Estado, nas nossas cidades, nas nossas portas? Não teremos nós, como cristãos que somos, alguma culpa por não utilizarmos os verdadeiros sentimentos de Cristo Jesus?

II Leitura (I Cor 12,12-30)
A comunidade é convida a continuar a ler o capítulo 12 da I Carta aos Coríntios. No domingo passado, Paulo havia insistido em que as diferenças de dons, ministérios e atividades são significam desigualdade, porque tudo deve colaborar para o bem comum.
Neste domingo, Paulo mostra quem é quem nas comunidades, usando a metáfora do corpo. O apóstolo usa a temática sobre o corpo, tendo um olhar na imagem do corpo físico e outro na imagem do corpo social. Por isso Paulo afirma: “Deus distribuiu os membros do corpo dando maior honra ao que é menos digno, para não haver divisão no corpo, e para todas as partes se preocuparem igualmente umas com as outras”).
Está definido, portanto, quem é importante na comunidade: todos, cada qual com seu dom. Cuidado, o outro, assim como é, é o grande dom de Deus para a comunidade. Se alguém tem o costume feio, por isso pecaminoso, de querer fazer tudo sozinho, sem considerar os outros como capazes e importantes, por isso também necessários, converta-se!


Pe. Francisco de Assis Inácio
Pároco da Paróquia da Imaculada Conceição de Nova Cruz - RN



Dom Jaime celebra aniversário sacerdotal

Dom Jaime Vieira Rocha
Foto: Cacilda Medeiros


O Arcebispo de Natal, Dom Jaime Vieira Rocha, vai celebrar 38 anos de vida sacerdotal, dia primeiro de fevereiro, sexta-feira. Neste dia, ele presidirá missa em ação de graças, às 16h30, na Catedral Metropolitana. Dom Jaime foi ordenado sacerdote em primeiro de 1975, na Catedral de Natal.

Fonte: www.arquidiocesedenatal.org.br


Presidente da CNBB participará do lançamento da CF em Natal


 Dom Raymundo, presidente da CNBB
Fonte: www.a12.com

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB e Arcebispo de Aparecida (SP), Dom Raymundo Damasceno Assis, virá a Natal, no mês de fevereiro, para participar do lançamento nacional e comemoração dos 50 anos da Campanha da Fraternidade - CF. Além dele, também confirmaram presença o Núncio Apostólico no Brasil, também conhecido como Embaixador do Vaticano para o Brasil, Dom Giovanni d’Aniello, e o presidente da Comissão Episcopal para a Juventude, da CNBB, Dom Eduardo Pinheiro.

A comitiva estará no Rio Grande do Norte no dias 14 e 15 de fevereiro. No dia 14, à tarde, juntamente com os bispos das dioceses do Regional Nordeste 2, da CNBB, visitarão o município de Nísia Floresta. Foi lá, mais precisamente na comunidade Timbó, onde, na quaresma de 1962, foi realizada a primeira Campanha da Fraternidade. No dia 15, participarão do Seminário “Igreja: fundamento da fraternidade”, que acontecerá no Centro de Convenções, na via costeira de Natal, no horário das 8h30 às 17h30. Na abertura do Seminário acontecerá a solenidade de lançamento nacional da CF que, neste ano tem como tema: “Fraternidade e Juventude”.

Ainda no dia 15, às 19 horas, na Catedral, haverá celebração eucarística. Logo em seguida, acontecerá uma vigília e adoração ao Santíssimo Sacramento. Este momento contará com a presença de Eliana Ribeira, da Comunidade Canção Nova.

Para participar do Seminário, no Centro de Convenções, é necessário adquirir um ingresso, no valor de trinta reais, que está à venda na Paulinas Livraria. A coordenação do evento está promovendo sorteio de ingressos, através do twitter da Arquidiocese, cujo endereço é @arqnatal.

Fonte: Arquidiocese de Natal

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013


Arquidiocese de Natal ganhará mais uma Paróquia


Pe. Luciano Inácio será o administrador da nova paróquia
Foto: Luiz Gonzaga


A instalação da Paróquia da Imaculada Conceição, em Lagoa Salgada, acontecerá dia 5 de fevereiro, às 19h30. Na ocasião, o Arcebispo, Dom Jaime Vieira Rocha, dará posse ao primeiro administrador paroquial, Padre Luciano Inácio da Silva. Ele foi ordenado sacerdote em 24 de agosto de 2012 e, desde então, está em Lagoa Salgada, preparando a comunidade para ser paróquia. Em preparação à criação, a comunidade viverá um tríduo festivo, de 3 a 5 de fevereiro.  

A nova Paróquia é desmembrada da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de Monte Alegre e pertence ao 8º Zonal.

Fonte: Arquidiocese de Natal

Missa marcará um ano de falecimento do Padre. Normando


Pe. Normando Pignataro
Foto: Cacilda Medeiros

A Arquidiocese de Natal celebrará missa em memória do Padre Normando Pignataro Delgado, dia 01 de fevereiro, às 19 horas, na Igreja de São Camilo de Léllis, no bairro de Lagoa Nova, na capital. Padre Normando faleceu dia 01 de fevereiro de 2012, depois de um mês internado, em decorrência de um AVC hemorrágico. Na época, ele era pároco da Paróquia de São Camilo de Léllis e Juiz Auditor da Câmara Eclesiástica da Arquidiocese de Natal. Padre Normando foi pároco de Nova Cruz durante os anos de 1992 a  1993. 

Fonte: Arquidiocese de Natal

domingo, 20 de janeiro de 2013


PROCISSÃO DE SÃO SEBASTIÃO REUNE MILHARES DE FIÉIS EM NOVA CRUZ



A tradicional Procissão de São Sebastião que percorre neste momento as ruas do maior bairro da cidade, que leva inclusive o nome de seu padroeiro, mais uma vez recebeu milhares de fiéis de Nova Cruz e de outras cidades e até mesmo de outros estados.
 



A procissão marca a primeira parte do encerramento da programação das festividades. Logo em seguida, será realizada a Missa Solene de Encerramento.


Padre Assis Inácio, pároco de Nova Cruz enfatizou ao blog, momentos antes da procissão que, "como acontece em todas as festas dos Santos padroeiros o povo sempre demonstra fé e afeto. São Sebastião com seu testemunho de vida faz com que a expressividade de fé popular do Santo seja muito grande. O povo vem participar da vivência de fé e ouvir a palavra de Deus" - disse Pe. Assis.
Padre Janilson Macedo, vigário paroquial afirmou que, " esse é um momento de festa ímpar na festa dos cristãos. A devoção a São Sebastião é sinonimo de proteção, pois muitos fiéis sempre vêm pedir a ele proteção contra fome, guerra ou pestes. Também é um momento de alegria pois muitos reencontram entes e amigos que há muito estavam longe de sua terra".


O prefeito Cid Arruda também falou ao nosso blog. Para ele " esse é um momento de muita devoção, uma das festas mais tradicionais da cidade, pois reverencia a memória e o martírio do padroeiro do maior bairro da cidade que inclusive leva o seu nome. Também é um momento de congraçamento da familia novacruzense.

Muitas pessoas que são novacruzenses, vem no mês de Janeiro passar suas férias na nossa cidade e aproveitam para participar da tradicional festa de São Sebastião. É o exemplo do casal Terezinha e Cícero Borges cujos filhos vem de São Paulo para a festa. Telielma Borges, filha frisa que " é com muita alegria que participa dos festejos, o que me lembra meus tempos de infancia em Nova Cruz". 



Já Aldaléia Borges, a outra filha do casal, disse que " é muito importante participarmos desta festa depois de tantos anos morando em São Paulo. a festa é uma oportunidade para rever amigos, parentes e familiares"

José Ramos, filho de Luiz Bento, veio do Rio de Janeiro e há 18 anos não vinha a sua terra. " É maravilhoso participar desse momento pra mim São Sebastião foi e será um santo protetor".

Outra familiar de seu José Ramos, dona Maria Veronica - irmã há 22 anos está fora de Nova Cruz. "Realizei meu sonho depois de tanto tempo foram de minha cidade".

Maria Salete, devota de São Sebastião há muitos anos, sempre com seu manto vermelho, em homenagem ao santo mártir disse que " cada vez mais a festa recebe numero maior de pessoas. Eu não deixo de participar pois tenho uma graça alcançada pelo intermédio de São Sebastião, por isso que eu venho vestida do manto vermelho".

sábado, 19 de janeiro de 2013


Multidão participará do encerramento da Festa de São Sebastião


Uma multidão de fieis devotos de São Sebastião participarão da procissão de encerramento da festa de São Sebastião, em Nova Cruz , neste domingo, dia 20, a partir das 16 horas. Os devotos oriundos de diversas cidade do país sempre vem a Nova Cruz para os festejos de São Sebastião.  A procissão percorrerá várias ruas do bairro São Sebastião, com a imagem do santo, e depois será realizado a missa de encerramento presidida pelo ex-pároco de Nova Cruz, Pe. Robério Camilo, hoje pároco da Paróquia Nossa Senhora de Lourde, Petropolis- Natal, concelebrada pelos padres Francisco de Assis, atual pároco, e Janilson Macedo, vigário paroquial. A festa teve inicio dia 11 com a presença de Dom Matias Patricío. 


São Sebastião

Fotos da procissão e missa de encerramento realizado em 2012




Tradicional Festa de São Sebastião com Meirinhos do Forró


Acontece neste sábado, 19, a tradicional social de Festa de São Sebastião, em Nova Cruz. Após a santa missa, que será às 19 horas, começa a funcionar a quermesse com funcionamento da barraca e show do grupo Meirinhos do Forró. A festa de São Sebastião é uma realização da Paróquia de Nova Cruz, com apoio do comercio local e instituições governamentais. A cada a festa vem crescendo bastante, tanto na parte religiosa, como na social, tendo o dia principal, 19 de janeiro, véspera do dia de São Sebastião,  20 de janeiro, padroeiro do bairro, cujo nome é o mesmo do santo.  






II Domingo do Tempo Comum - comentário litúrgico



Neste II domingo do Tempo Comum, vamos refletir as relações entre Deus e o seu povo, ao modo da relação que há entre os verdadeiros esposos. Aqui, Deus é o esposo, e o povo, a esposa. Por mais que a esposa seja infiel, o esposo manterá sua fidelidade.

 I leitura (Is 62,1-5)
                Contextualizando o fragmento da I leitura deste II domingo do Tempo Comum, é possível sinalizá-lo como sendo do período da volta do cativeiro da Babilônia. É tido como o Terceiro Isaías (capítulos 56-66). Um primeiro elemento que, não deixa de ser válido chamar atenção é a época com suas particularidades, na qual brotou este texto. Época assinalada por grandes decepções e também por grandes esperanças.
                Isaías interpreta Deus que, ao tratar da cidade, Jerusalém ou Sião, Ele o faz a partir de uma linguagem que é própria ao relacionamento entre esposos. Trata-se, portanto, da metáfora do casamento. O estilo é de um poema, no qual se sobrepõem e se fundam a imagem solar e a do rei vitorioso no dia de seu casamento; em termos conceituais, o rei é o sol. A aurora ilumina a cidade (60,1s), que com a sua muralha completada com ameias parece uma coroa refulgente sobre o monte, visível de longe e magnífica.
                A cidade, Jerusalém ou Sião, significa o povo, a nação; tal significado está além do sentido físico. Tudo fala de retorno, de vida nova, de vitória, de “página virada”. O povo está voltando do cativeiro. Esse povo torna-se uma joia nas mãos de Deus. Javé está apaixonada por ela, que já não é uma mulher sem nome, mas tem dignidade, é uma senhora.
                Mas tudo isso tem um preço, é preciso organizar o povo e abrir caminhos.

Evangelho (Jo 2,1-12)
                Assim como a primeira leitura, o evangelho também se serve da imagem do casamento para tratar das relações entre Deus e o seu povo.
                Talvez seja interessante, pelo menos para corrigir um pouco a nossa curiosidade, nos determos em alguns pormenores surpreendentes, que é possível que nos deixem perplexos.
                Por exemplo: Se os convidados já estavam quase ébrios, por que oferecer mais vinho? Por que o texto não fala dos noivos como protagonistas? Por que não se fala da “mãe de Jesus”, sem citá-la pelo nome? Pergunta-se também por qual razão deveria haver numa simples casa tantas talhas de pedra só para as purificações?
                Tudo isso é muito interessante dentro da dinâmica exegética e hermenêutica, porque corrige a nossa abstração no contato com os textos bíblicos.
                Contudo, é bom entendermos o mais importante: não estamos aqui diante de um simples fato de crônica: por trás de um acontecimento aparentemente simples ocultam-se ideias mais profundas! É preciso enxergar os sinais, o significado das expressões, das figuras, do espírito. É o que vamos ver agora.
                O Evangelho de hoje trata das “Bodas de Caná”. Duas ideias básicas, tiradas do Antigo Testamento, estão sempre presentes no Evangelho de João: “aliança” e “criação”. Jesus inaugura a Nova Aliança e dá início à Nova Criação. Situando Jesus num casamento falido, como o de Caná, o evangelista quer alcançar outro alvo, ou seja, mostrar quem é o “esposo da humanidade”.
                Na Bíblia, o casamento é sinônimo de aliança. Na linguagem profética, ser infiel à aliança é a mesma coisa que ser adúltero. A aliança antiga caducou.
                Jesus é aquele que inaugurou a Nova Aliança, aquele que trás vinho novo, em abundância e com ótima qualidade.
                A abundância de vinho (mais de 600 litros, cf. 2,6) era o sinal da chegada do Messias, que vai trazer o amor definitivo. Chegou, portanto a hora de Jesus, que se consumará na cruz, ao provar seu amor de forma ilimitada. Ele veio para todos.
                E o que dizer da Mãe de Jesus no casamento de Caná? Maria, no casamento de Caná é símbolo dos que se conservam fiéis a Deus, na expectativa da realização das promessas messiânicas. Ele faz e lembra a todos que também façam o mesmo, isto é, o que Jesus mandar. Jesus mostra à sua mãe que a antiga aliança não tem mais razão de ser. Ele é o verdadeiro esposo da humanidade, pois traz vida em plenitude. Não se trata mais de troca de favores ou ritos de purificação (as talhas vazias), mas em base ao amor pleno e verdadeiro.
                O acontecimento de Caná assinala o início dos sinais de Jesus que têm como finalidade levar a nova humanidade à maturidade da fé e à posse da vida. Ainda é possível descobrir dentro dos objetivos deste texto a tão frisada “hora de Jesus”. Caná encontra seu ápice na cruz. É lá que se encontra seu amor até às últimas consequências.
                Atenção: É tempo de plenitude, de vinho novo e de ótima qualidade. È hora de Jesus. Só será nova se andar em comunhão com Jesus, o vinho novo, responsável por vida em plenitude.
II leitura (1 Cor 12,4-11)
                Paulo percebe que a comunidade de Corinto está passando por alguns desvios internos e externos. Um desses desvios é a questão dos carismas. A comunidade não assimilara de modo maduro e responsável a vida nova que brotava do evangelho, pois na questão dos carismas dava-se valor unicamente àqueles carismas extraordinários capazes de causar impacto nas pessoas: falar em línguas, profetizar, fazer curas e milagres. Para os coríntios era isso. E o pior, cada qual que quisesse aparecer. Paulo lhes dirá: se alguém, que não é da comunidade, entrar nesse momento, pensará ter entrado num manicômio! (cf. 14,23).
                Os coríntios, portanto, achavam que o Espírito só se manifestava nos dons espetaculares. Por isso Paulo procura alargar o horizonte da comunidade. “São distribuídos muitos dons, mas o Espírito é o mesmo (12,4). Na comunidade, cada um recebe uma manifestação do Espírito para o crescimento de todos.
                Alguns questionamentos: Por que tantos sem a devida definição religiosa, espiritual, cristã? Ou, se a possui, por que não demonstrar com maior convicção cristã? Será que não está faltando “o vinho novo”? Cadê o papel da mãe de Jesus: provar a transformação nas velhas estruturas mentais em cada um de nós?

Pe. Francisco de Assis Inácio
Pároco da Paróquia da Imaculada Conceição de Nova cruz - RN